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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Arte de ouvir



É preciso aprender a ouvir. Acho que essa sempre foi minha maior escola. Sou um colecionador de histórias. Elas foram minha bússola para caminhar nesta tão difícil estrada que é o viver. Meus professores foram pessoas com as quais convivi e ainda convivo. Meus avós, minha mãe, meu padastro e meus irmãos, minha namorada e meus filhos, meus mestres na escola, os escritores e poetas, meus colegas de trabalho, meus alunos e todas as pessoas que me dão a honra de poder ouvi-las. Não sou doutor ou mestre acadêmico, minha formação cresceu nas ruas. sou feliz por isso! Hoje ninguém tem tempo para ouvir o outro, ou interesse.


O mundo vai ficando menor e menos encantador porque ninguém que romper seus próprios limites. Os escritores e poetas estão morrendo; aos artistas ninguém se dá o prazer de observá-los; a lua ilumina a noite sem ninguém mais para admirá-la; o sol nasce e se põe sem ninguém para observá-lo; as pessoas expõem sua alma, mas as pessoas só se importam com sua aparência; o mundo e todas as coisas nos fala o tempo todo.


Um dia me disseram que eu vejo, ouço e falo com olhos, ouvido e boca de poeta, mas o mundo é muito cruel e devora pessoas como eu. Nunca tive do mundo nada além do que coisa para contemplá-lo, os homens sim, que sempre foram muito cruéis. Mas as histórias contadas por alguns homens e mulheres sempre me curaram e me curam da crueldade de parte da humanidade e realimentam minhas utopias. Aprendi com Eduardo Galeano que as utopias são como o horizonte, quando mais caminhamos na sua direção, mais elas se afastam.


Que a vida me permita caminhar até o fim de meus dias!


sexta-feira, 9 de março de 2012

Prosa: Sonhar...


Uma vez um menino entrou pela primeira vez em uma biblioteca e pegou emprestado um livro. A história era de uma viagem espacial para conquistar a lua. Ele não teve dúvida, não estava ali uma história para ser lida, mas uma vida para ser escolhida. O padrinho da escolha foi Júlio Verne e seu livro "Da terra à lua". 

O menino sonhou e em seu terreiro com um balanço e cobertas velhas fez seu foguete. O capacete era um saco de papel com abertura para os olhos. Os controles parte de uma vassoura e caixa de ovos virada com o fundo colorido com giz de cera. 

O jovem astronauta sonhou e voou. Foi mais longe que qualquer homem havia chegado. Conheceu países, planetas, galáxias e os limites ilimitados do universo. Não havia limite para sua Argos imaginária. 

O menino cresceu, o terreiro não existe mais, muito menos o antigo balanço. Nem tão pouco o menino conseguiu voar em uma espaçonave de verdade. Mas quem precisa de espaçonave quando se tem livros e imaginação? O homem de hoje é a nave do menino e o menino é o eterno sonho do homem. 

As estrelas continuam lá no céu, mas se você observar bem, toda noite o homem está lá em cima, com o combustível da imaginação, fazendo o menino mais uma vez passear no espaço...